Uruguai: de Montevidéu aos vinhedos da Bodega Garzón

SILVIO CIOFFI — ENVIADO ESPECIAL AO URUGUAI

Diminuto país do sul da América do Sul que o artista plástico Joaquín Torres-García retratou, em 1943, no topo do subcontinente com seu traço irreverente, o Uruguai recém colocou a indústria vitivinícola mundial de ponta cabeça ao produzir vinhos icônicos em sua Bodega Garzón —aliás, propriedade do empresário argentino Alejandro Bulgheroni.

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No alto, Bodega Garzón tem até golfe e, acima, Cartógrafo (1943), desenho de Joaquín Torres-García que mostra o Uruguai no topo do mundo (Fotos Silvio Cioffi-V!VA)

Para o brasileiro, a viagem ao Uruguai, país de 176 mil km², tem início no aeroporto de Montevidéu, uma capital romântica e passadista que dista menos de três horas de voo a partir de São Paulo.

Já na capital uruguaia, do aeroporto de Carrasco —projeto arrojado do arquiteto contemporâneo Rafael Viñoly— até o centro histórico percorrem-se 18 quilômetros. Desde logo, o trajeto revela bairros elegantes e uma cidade aprazível habitada por 1,5 milhão de pessoas. Ao todo, no Uruguai, vivem 3,4 milhões de pessoas —dados da Organização Mundial de Turismo (OMT) dão conta que o país recebe mais de 3 milhões de turistas anualmente.

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O eclético e “kitsch” Palácio Salvo, de 1928, marca como um bolo de noiva o centro de Montevidéu (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Bandeira e detalhe da sede do governo do Uruguai, um dos raros prédios modernos no centro (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

PECADILHOS DA CAPITAL
Montevidéu foi erigida sobre uma colina de 132 m —e essa localização parece ser a origem do nome da cidade. Nos idos de 1728, um forte espanhol dominava essa pequena elevação e, hoje, vestígios arquitetônicos dessa ocupação pioneira ainda podem ser vistos na Puerta de La Ciudadela, na esquina das ruas Sarandí e Juncal. A partir desse local histórico, o ideal é descobrir Montevidéu a pé, visitando inicialmente a praça da Independência, cujo traçado remonta a 1836.

No centro da praça e encimado por uma gigantesca estátua equestre de 1923, fica o mausoléu do general José Gervásio Artigas (1764-1850), herói nacional e artífice da Independência do Uruguai que morreu no exílio, no Paraguai. Essa praça da Independência é cercada por prédios antigos, como o Palácio Salvo, de 1928, que os críticos comparam a um bolo de noiva. Ainda na área da praça fica a sede do governo federal, um raro prédio contemporâneo do centro histórico de Montevidéu.

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A estátua equestre de José Gervásio Artigas (1764-1850), herói da Independência do seu país (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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O singelo frontão do Cabildo (1808), prédio cívico no centro histórico da capital uruguaia (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Fonte com anjos próxima da igreja Matriz denota o estilo europeizado de Montevidéu (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Monumental e clássico, o Teatro Solís domina a região e foi inaugurado em 1856. Referência mundial como sala de ópera e concertos, o teatro foi nomeado em homenagem ao navegador Juan Días de Solís, o primeiro espanhol a explorar essa região sul-americana.

Findo o passeio por essa área mais alta, que segue colina abaixo por ruelas históricas rumo ao Mercado del Puerto, na esquina das ruas Pérez Castellanos e Piedras, já na área do rio da Prata.

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Sinalização no museu da Peatonal Sarandí mostra uma das muitas assinaturas de Joaquín Torres-García (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

NO MEIO DO CAMINHO, ARTE MODERNA
Para quem tem fome de arte, esse passeio a pé tem sua primeira parada obrigatória o museu Torres-García, na Peatonal Sarandí, 683.

Joaquín Torres-García (1874-1949) foi um icônico pintor, desenhista e escultor da vanguarda modernista latino-americana e, como mencionado, desenhou o mapa da América do Sul de ponta-cabeça, com o Uruguai no topo em sua obra Cartógrafo (1943). Contemporâneo de grandes artistas do século 20 —e amigo de Miró, Léger, Kandinsky, Gaudí, Le Corbusier e Mondrian—, é considerado o pai do estilo “universalismo construtivo”, movimento que defendia uma arte latino-americana “poderosa e virgem” e que se situa entre o surrealismo e o construtivismo.

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Retrato de JTG e seus pincéis; artista morou na Europa e foi ligado a Miró, Léger e Le Corbusier (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Natureza-morta com relógio ao estilo de Torres-García, que foi pintor, desenhista e escultor (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Com quatro andares e iluminação natural, esse importante museu de arte no centro histórico de Montevidéu reúne parte expressiva do que sobrou da obra de Torres-García. Lamentavelmente, um incêndio, durante uma mostra no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro em 1978, queimou diversos dos seus quadros e de suas esculturas.

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Carrinhos feitos por JTG que, com madeira, montou ainda barcos, peixes e figuras lúdicas (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Pintura a óleo retrata igreja e casario; Joaquín Torres-García (1874-1949) também assinava JTG (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

CAMINHO SUAVE
Até o Mercado del Puerto, o local mais evidentemente “turístico” da capital uruguaia, o trajeto é nostálgico, repleto de prédios e igrejas históricas, de praças recônditas e de fontes que remetem a um passado europeizado. Uma referência para quem maneja um mapinha dessas ruas, a igreja Matriz, na esquina da ruas Sarandí e Ituzaingó, foi edificada em 1726 e reconstruída em 1804. O altar-mór é original e guarda uma imagem de Nossa Senhora legada pelos jesuítas. Defronte à Matriz, o Cabildo é um prédio público de1808 —e era a sede da prefeitura de Montevidéu em 1830, ano da promulgação da primeira Constituição da República Oriental do Uruguai.

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Altar da igreja Matriz no centro de Montevidéu; a imagem principal é legado dos jesuítas (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Dentro do mercado, cuja estrutura de ferro foi trazida da Inglaterra e montada entre 1865 e 1869, um velho carrilhão não marca mais as horas. Ao redor desse relógio, pequenos restaurantes excessivamente turísticos servem “parrillada”, o churrasco grelhado nas lenhas, e o “medio y medio”, uma mistura algo suspeita de vinhos tinto e branco.

LIVROS, GALERIAS E SABORES
Dicas de Montevidéu

1) Escaramuza Libros — numa casa de época no bairro de Cordón, essa livraria estilosa e completa tem um café e mesas no quintal arborizado. Fica na rua Pablo de María, 1.185.
www.escaramuza.com.uy

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Ao anoitecer, a fachada da Escaramuza, livraria e espaço cultural no bairro de Cordón (Fotos Silvio Cioffi-V!VA)
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Música pop, chefs renomados e autores clássicos se misturam nas prateleiras (Fotos Silvio Cioffi-V!VA)
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Detalhe dos bolos servidos na livraria Escaramuza, instalada numa casa antiga e estilosa (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

2) Mercado Ferrando — antiga fábrica de móveis que se transformou em espaço gastronômico em 2017, o local também fica no bairro da livraria Escaramuza. Ali, 19 locais vendem comidinhas, drinques, vinhos e temperos. Um animado mezanino serve de praça de alimentação.
www.mercadoferrando.com

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Prato de lulas no Mercado Ferrando, espaço gastronômico onde há 19 diminutos restaurantes (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

3) Espaço Cultural Tribu
Com área de exposição e vendas de obras de arte de vanguarda e utensílios para casa, esse bar e café ocupa uma bela mansão antiga no bairro de Palermo, na rua Maldonado, 1.858. Email: tribu.bio@gmail.com.

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Claraboia na sede do Espaço Cultural Tribu, onde há mostras de arte e venda de objetos de casa (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

4) García Grill
Em dois endereços em Montevidéu, os concorridos restaurantes com a marca García estão entre os melhores restaurantes de carne do Uruguai —e isso não é pouca coisa. Perto do aeroporto de Carrasco, na avenida Arocena, 1.587, o primeiro deles faz reservas pelo email carrasco@garcia.com.uy, tel. local (598) 2600-2703. O outro fica na rua Guipuzoa, 331, em Punta Carretas, e faz reservas pelo email puntacarretas@garcia.com.uy. A sugestão é o corte entreato (ponta do contrafilé), de preferência “jugoso” (mal passado!).
www.garcia.com.uy

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A “parrilla” do grill García em Carrasco; no Uruguai, as carnes são assadas nas lenhas (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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O salão do agitado grill García, em Carrasco; a churrascaria tem dois endereços na capital (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Salada guarnece os cortes no grill García, endereço moderno para um “asado” tradicional (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

5) Jacinto
Um bar e bistrô que faz a releitura de pratos do Norte da Itália e serve saladas, peixes e até steak tratar. A cargo da chef Lucía Soria, o local é moderno e fica na peatonal Sarandí, não longe do Mercado Del Puerto. Reservas pelo tel. local (598) 2915-2731 e email jacinto@gmail.com.

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Bar do contemporâneo bistrô Jacinto, da chef Lucía Soria, que fica perto Mercado del Puerto (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Tartar de carne cortada na ponta da faca encimado por gema levemente cozida, no Jacinto (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

BODEGA GARZÓN — VINHOS DE ALTA GAMA PARA VOCÊ GAMAR
DO ENVIADO ESPECIAL

Vinícola butique ultracontemporânea e sustentável localizada em Juanico, nas proximidades de José Ignácio, o balneário da moda no Uruguai, a Bodega Garzón inscreveu seu nome entre as melhores produtoras do mundo a partir de 1999, quando foi fundada pelo empresário argentino Alejandro P. Bulgheroni e sua esposa, Bettina.

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Na Bodega Garzón, degustação dos recém-lançados vinhos da linha Petit-Clos, a cargo do enólogo Alberto Antonini (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Em Juanico, a arquitetura contemporânea da vinícola e produtora de azeite Bodega Garzón (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Nas instalações da Garzón, cubas de cimento (à dir.) e tonéis de carvalho ao fundo (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Um campo de golfe de 18 buracos integra o complexo de 5 mil hectares da Bodega Garzón (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Ocupando 5 mil hectares e com 19 mil m² de área construída, a propriedade surpreendentemente está localizada a apenas meia hora de carro de José Ignácio e a cerca de uma hora de Punta del Este, essa ultramoderna produtora de vinhos finos, como o tinto Balasto, tem sido festejada por publicações especializadas como Wine Enthusiast e Wine Spectator; por grandes mídias como Bloomberg e The New York Times; e ainda por publicações ligadas ao turismo de luxo e à moda, caso de Travel and Leisure, Vogue e Condé Nast Traveler.

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Braseiro no mega-bistrô da Bodega Garzón, com gastronomia a cargo do chef argentino Francis Mallmann (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Azeites extra-virgem e de baixíssima acidez à venda na lojinha da Bodega Garzón (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

A visita pré-agendada aos vinhedos e às instalações da Bodega Garzón pode incluir almoço e, certamente, se torna inesquecível pela degustação de seus vinhos. O jornalista e restaurateur argentino Francis Mallman assina o cardápio e garante uma experiência enogastronômica inesquecível nessa que a publicação Wine Enthusiast já elegeu como “a melhor vinícola do Novo Mundo” em 2018 —e chamou de projeto mais ambicioso do mundo do vinho.

Além da degustação de vinhos como o tinto Balasto, de tours guiados e dos lautos almoços, a Bodega Garzón pode organizar também divertidos piqueniques. Entre as estrelas da produtora, estão ainda vinhos premiados como o Albariño Reserva e o Tannat Reserva. Ao todo, a vinícola cultiva cerca de 21 parietais como petit verdot, sauvignon blanc e pinot grigio. E, assim, além de tintos, produz brancos, rosés e espumantes. Entre seus enólogos, está o italiano Alberto Antonini, responsável pela linha Petit Clos.

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O italiano Alberto Antonini, enólogo renomado e autor da linha Petit-Clos da Bodega Garzón (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Instalações da Bodega Garzón onde é extraído o azeite extra-virgem que leva o nome da vinícola (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Interior de tenda em meio ao campo de golfe na luxuosa propriedade da Bodega Garzón (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

A novidade é que a vinícola também está plantando uma área de mil hectares com oliveiras e produzindo azeite extra virgem com nível de acidez inferior a -0,2%.

Para afortunados 200 sócios do seu Club Privê, a produtora reserva a acomodação num hotel & spa com selo Relais & Châteaux e propicia uma adega privada.

Um campo de golfe de 18 buracos complementa a propriedade no Uruguai, mas a Bodega Garzón tem também vinícolas em Mendoza (Argentina), Bordeaux (França) e no Vale do Napa (EUA).
(SILVIO CIOFFI)

SITES:
www.experienciasgarzon.com
www.bodegagarzon.com
www.turismo.gub.uy

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Aspecto de um lago em meio ao campo de golfe de 18 buracos na Bodega Garzon, em Juanico (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Nicolás Kovalenko, da Garzón, é especialista em marketing no mundo do vinho, sommelier e campeão de golfe (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

JOSÉ IGNÁCIO DESBANCOU PUNTA? DOCE RIVALIDADE DO TURISMO DE LUXO NO URUGUAI
DO ENVIADO ESPECIAL

Até o início dos anos 1980, José Ignácio era um povoado de pescadores no Uruguai frequentado apenas por uns poucos turistas argentinos.

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A praia de José Ignácio mistura águas oceânicas e do rio da Prata, dependendo da maré (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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O farol de José Ignácio, o balneário que, a partir dos anos 1980, rivaliza com Punta del Este (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Um sino marca a entrada o restaurante La Huella, em José Ignácio, balneário uruguaio hippie-chic (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Um belo dia, o local, marcado por um farol histórico que orienta a navegação, foi descoberto pelo jornalista gastronômico Francis Mallmann e, de balneário meio hippie, se transformou num destino internacional de turismo hype.

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Peixes assado na brasa das lenhas, na “parrilla” do restaurante contemporâneo La Huella (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Bolinho e sorvete de “dulce de leche”: que tal combiná-los no La Huella? (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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No La Huella, o premiadíssimo Albariño 2017 da Bodega Garzón harmoniza com frutos do mar (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Nessa época o restaurante pé na areia La Huella até 1999 era apenas um quiosque. Hoje seu aspecto rústico está preservado, mas o local serve iguarias como peixe e polvo assados na brasa, sobremesas como sorvetes de doce de leite e, lógico, vinhos, ótimos vinhos.

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Polvo assado na “parrilla” sobre leito de batatas condimentadas ao açafrão, no La Huella (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Placa anuncia o “Parador “La Huella: parada obrigatória em José Ignácio (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Hoje hotéis como o Bahia Vik e Fasano transformaram o antigo José Ignácio numa meca do turismo de luxo, mas não tiraram a sua ternura e alma informal de bem receber.

Recheado de obras de arte contemporâneas e defronte para a praia numa regiões onde o rio da Prata segue para encontrar o mar, o luxuoso hotel Bahia Vik tem uma piscina de perder o fôlego e é cercado por bangalôs avarandados imensos e luxuosos. Na sede o forro, pintado em 2013 por Carlos Musso, remete à obra do austríaco Gustav Klimt (1862-1918).

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No hotel Vik Bahia, o forro da entrada, do pintor Carlos Musso, é inspirada na obra de Gustav Klimt (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Detalhe de uma das piscinas do Vik Bahia, que conta com 12 bangalôs luxuosos e privados (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Em outra propriedade nos arrabaldes, o Vik tem uma estância de apenas 12 quartos que também serve de hotel, serve copiosos assados, saladas orgânicas e vinhos de sua lavra ao ar livre. (SILVIO CIOFFI)

SITES:
www.bahiavik.com
www.laspiedrasfasano.com
www.paradorlahuella.com

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Sala de estar do hotel Fasano Las Piedras, que tem decoração sóbria e fica em José Ignácio (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

3 comentários sobre “Uruguai: de Montevidéu aos vinhedos da Bodega Garzón

  1. Maravilha de matéria que reúne história, vinhos, gastronomia e claro, o melhor do turismo no Uruguai. Obrigada Silvio por nos brindar com essa matéria. Quem sabe, sabe!!!

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  2. Uma coisa extraordinária no jornalismo turístico, que recebo como um presente de Silvio Cioffi, esta matéria sobre o Uruguai nos mostra um lado rico e elegante sobre a arte de viajar. Mostra, acima de tudo, que produzir vinhos de qualidade, pratos de dar água na boca e locais de hospedagem que são verdadeiros enternecimentos, muito mais que atividades empresariais, revelam a coragem de correr grandes riscos implícitos na atração de clientes do nível dos que para ali vão. E a forma de retratar essas coisas revela um talento ímpar que a poucos jornalistas de turismo a natureza concedeu. A reportagem aqui publicada é prova viva. E mostra ainda, discretamente, porque o Uruguai recebe de turistas quase o dobro de sua população. Isso significa que não basta apenas ter belos locais, belas prais e outras atrações. Turismo é também gastar muita massa cinzenta em sua amalgama, como o texto mostra. Parabéns pelo trabalho, e obrigado por integrar o grande circulo de seus amigos.

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