SILVIO CIOFFI – ENVIADO ESPECIAL AOS EUA/IPW24
Pacata e cênica, há menos de 50 km da costa sul-californiana na altura de Long Beach, com paisagem montanhosa e vegetação exuberante, a ilha Catalina proporciona ao visitante uma miríade de atividades esportivas e ecológicas que vão desde tranquilos passeios em caiaques, em lanchas velozes e em barcos com fundo de vidro a partir do seu charmoso píer Green Pleasure, no centro da praia de Avalon, até atividades mais radicais, como parasail, tirolesa, tours de bike e de jipão Hummer cruzando a ilha e entrando em contato com sua natureza mais selvagem.

Jipão Hummer da Discovery Tours cruza a ilha em passeios que mostram sua natureza intocada e manadas de bisões livres (fotos por Silvio Cioffi – V!VA)
Dispersos pelo interior da ilha, vivem cerca de 150 bisões –impropriamente chamados de búfalos– soltos pelos campos, uma espécie de endêmica de raposinha e há reservatórios para pássaros, para criação de peixes e até de águias (as “bald eagles”), além um haras com cavalos quarto de milha.
No mar, passeios de barco acompanhados por golfinhos em direção a Seal Rock revelam uma infinidade de colónias de mamíferos marinhos, como focas e leões marinhos.
Outra atração é o passeio ao Wrigley Memorial & Botanic Gardens, com jardins que ocupam 150 mil metros quadrados.
Dada a sua proximidade de Los Angeles, Catalina atrai viajantes de um dia —mas vale bem mais do que isso. Já na travessia a bordo do grande catamarã da Catalina Express, com sorte e dependendo da época, é possível avistar baleias e pássaros marinhos.




E assim, seja para o turista interessado na fruição da pacata Avalon, sua charmosa cidade-sede, onde há hotéis históricos, bons restaurantes e lojas de suvenires; seja para os mais intrépidos exploradores de paisagens e animais selvagens, convém reservar alguns dias para aproveitar de forma imersiva o clima ameno e o espírito bem californiano dessa ilha que serviu de locação para mais de 500 longa-metragens hollywoodianos, apareceu em incontáveis documentários e foi cenário de inúmeras séries de TV e campanhas publicitárias.
Sim, ao longo de sua história, Avalon foi o local em que, na hora do recreio, personalidades de Hollywood –como Charlie Chaplin, Humphrey Bogart, John Wayne e Marilyn Monroe–, aproveitaram a beleza da ilha para morar, pescar, dançar no “ball-room” de seu imenso Casino art déco ou para simplesmente curtir a natureza e descansar.
Amante da pesca, dos charutos e da boa vida, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, cuja mãe era americana, também frequentou a ilha Catalina.


Até mesmo os cômicos Stan Laurel e Oliver Hardy, imortalizados no Brasil como a dupla “O Gordo e o Magro” e que viviam brigando nas telas, desfrutavam momentos de relax passeando juntos em Avalon.


Aliás, antes de ser famosa e em seu primeiro casamento com um policial, quando ainda se chamava Norma Jeane Mortenson, Marilyn morou seis meses em Catalina onde, consta, trabalhou numa barraquinha vendendo doces.
CATALINA E A GÊNESE DO CINEMA AMERICANO
A descoberta de Catalina pelo cinema norte-americano começou em 1912, ainda na era do cinema mudo, quando o diretor pioneiro D.W. Griffith, conhecido por suas produções monumentais com centenas de figurantes, lá filmou o curta-metragem “Man’s Genesis”.
Com a transição do cinema mudo para o cinema falado, a ilha foi cenário para produções clássicas como “Treasure Island” (1918), “Os Dez Mandamentos” (1923), e “Ben-Hur” (1925).
Grandes produtoras de Hollywood, como Universal Studios, Fox, Lasky Film Co., Paramount, Metro-Goldwyn-Mayer e United Artists passaram a disputar o espaço de Catalina para realizar suas filmagens.
Aliás, a United Artists havia sido criada em 1929 pelos atores Charlie Chaplin, Douglas Fairbanks e Mary Pickford e, também, pelo D.W. Griffith com o intuito de fazer frente às grandes corporações cinematográficas da época –e seus fundadores eram figuras frequentes na ilha Catalina mesmo em momentos de lazer.


Iates e veleiros de celebridades como os galãs e divas como Clark Gable, Johnny Weissmuller, Pauline Godard eram comumente vistos literalmente atracados em Avalon nos idos de 1930.
A fauna da ilha também sofreu impacto dessa ocupação por celebridades, turistas e produtores de cinema e um exemplo disso são os búfalos –a rigor, são bisões– que em 1925, foram levados para as filmagens de “The Vanishing America”, faroeste dirigido por George B. Seitz. Eles, os descendentes do bisões originais, ainda hoje vivem soltos no interior de Catalina.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e, especialmente depois de dezembro de 1941, a ilha foi fechada para o turismo.
As produções de cinema foram retomadas logo depois ao fim do conflito mundial, inclusive tomando carona na popularização das produções e séries de TV nos anos 1950 e 1960.
São desse período as filmagens de “O Bebé de Rosemary” (1968), clássico de terror dirigido por Roman Polanski e estrelado por Mia Farrow e John Cassavetes –filme que poucos imaginam tenha sido rodado numa ilha.
Outras produções famosas que tiveram Catalina como locação incluem ainda “Chinatown”(1974), “Jaws/Tubarão”(1974), “Amistad”(1997), “Apolo 13″(1995), de onde se depreende que celebridades como o diretor Steven Spielberg e os atores Anthony Hopkins, Morgan Freeman, John Houston, Faye Dunaway e Jack Nicholson, entre outros, também curtiram a ilha em momentos de folga.


Mas como nem tudo são histórias de “glamour” e de faz de conta no cinema, a atriz Natalie Wood encontrou a morte por lá, Ela morreu afogada ao largo da ilha Catalina, em 1981, aos 43 anos de idade. As circunstâncias são, ainda hoje, são nebulosas. Natalie foi vista com vida pela última vez ao lado de seu marido, o também ator Robert Wagner, do mordomo e de outro ator, na noite de 28 de novembro. Na manhã seguinte, seu corpo foi encontrado ao lado de um bote inflável encalhado há 1,6 km de distância do iate do casal.
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