Referência art déco, o Casino de Catalina nunca foi cassino

SILVIO CIOFFI – ENVIADO ESPECIAL AOS EUA/IPW24

À beira-mar, há poucos metros do píer de Avalon, a imensa estrutura circular em estilo art déco do prédio do Casino nunca foi, a rigor, um cassino com roletas e jogatina.

Construído em 17 meses a um custo de US$ 2 milhões em dinheiro da época, inaugurado em 1929, o local tem no piso interior um impressionante auditório com paredes art déco pintadas por John Tartaglia, cenógrafo de cinema e autor da decoração do Chinese Theater que, em Hollywood, foi endereço de diversas premiéres e de cerimônias de entrega do Oscar.

No alto, imagem do lustre e do salão de danças (ou “ball-room”) do Casino, inaugurado em 1929; acima, foto de época mostra o prédio recém inaugurado. (Fotos Silvio Cioffi – V!VA e reprodução de “Hollywood Isle”, edição Greg Reitman)

Nesse auditório/cinema com 1.121 poltronas de veludo vermelho que pode ser visitado num tour guiado, há ainda um fosso para orquestra e um imenso piano.  

Logo na entrada do prédio do Casino, imensos mosaicos de ladrilhos deram origem à indústria local de Catalina Tiles, ladrinhos pintados em cores vivas que podem ser vistos nas mais variadas construções por toda a ilha.

Ladrilhos, suvenir típico da ilha Catalina; a indústria da cerâmica teve origem na edificação do Casino (foto Silvio Cioffi – V!VA)

Aliás, foi a construção do Casino que, nos anos 20 do século passado, deu origem à indústria dos ladrinhos de Catalina, feitos com argila local, em cores características e cuja história está bem contada no novo Catalina Museum for Art & History, que fica no centrinho de Avalon e que hoje é dirigido pelo museóloga Sheila Bergman.

Não à toa, antes do acervo sobre a Ilha Catalina estar exposto no novo Catalina Museum, o prédio do Casino, onde ainda há fotos antigas, trajes cenográficos e objetos de época, fazia as vezes de museu.

O ponto alto desse prédio circular cuja altura equivale a 12 andares –e de onde se avista toda a cidade de Avalon e arrabaldes do porto– é o seu salão de festas, ou “ball room”, onde, ao mesmo tempo, mais de seis mil pessoas dançavam ao som de orquestras como as de Benny Goodman e Count Basie e ao som de “crooners” como Bing Crosby. 

Nem mesmo a Lei Seca, que os americanos chamam de “Prohibition”, lei que proibiu a fabricação e consumo de bebidas alcoólicas de 1920 e 1936, abalou o sucesso estrondoso das festas do Casino.

Consta, no entanto, que próprio William Wrigley Jr, e depois dele o seu filho P.K. Wrigley, reuniam amigos numa sala escondida no piso superior ao do auditório e atrás dos projetores de cinema para festas particulares.

No tour guiado pelo Casino, especula-se que um cofre nesta sala teria servido, não se sabe ao certo, para armazenar garrafas cujos conteúdos são um mistério.

Gaivota e prédio do Casino vistos a partir do charmoso bar de El Descanso Beach (no topo); ao centro, pequeno pórtico na calçada que liga a praia de Avalon ao Casino; acima, o grande lustre art déco no centro do “ball-room” (fotos Silvio Cioffi – V!VA)


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