SILVIO CIOFFI – ENVIADO ESPECIAL AOS EUA
No Estado de Washington, diante do piscoso estuário de Puget, Seattle tem clima oceânico –onde as chuvas são para lá de frequentes. Metrópole da região do Pacífico Noroeste, é imersa na natureza ao mesmo tempo em que é uma capital da inovação nos Estados Unidos.
E assim, os seattleites, apelido dado aos locais, se distinguem tanto por suas preocupações com o ambiente, a água, o salmão fresco e o café como, também, pela engenhosidade como criaram empresas que são líderes mundiais, caso de Starbucks, Amazon, Boeing e Microsoft.
Marco no desenvolvimento da metrópole, a Seattle World´s Fair, também chamada de “A Exposição do Século 21”, atraiu, entre 21 de abril e 21 de outubro de 1962 mais de 10 milhões de visitantes.


A torre Space Needle, que redefiniu o perfil urbano da cidade, é um legado desse evento que explorou temas como o espaço, a ciência e o futuro da Humanidade.


Outra faceta da grande Seattle, onde, compreendidos os arredores, vivem 4 milhões de habitantes, é o seu virtuosismo musical: do grunge ao jazz, do pop ao hip-hop, a cidade deu à luz músicos como Jimi Hendrix (1942-1970) e a bandas como Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam e Alice in Chains.





Numa área de 13 mil m² adjacente à torre Space Needle, o museu MoPop (abreviatura de Museum of Pop Music), foi projetado pelo arquiteto canadense-americano Frank O. Gehry a pedido de Paul Allen, um dos sócios-fundadores da Microsoft.
Inaugurado no ano 2000, o MoPOP tem uma ala identificada com a ficção científica na literatura e no cinema e outra, a Experience Music Project, voltada para os expoentes da música pop.
Na primeira, a memorabília inclui objetos, robôs, roupas e trechos cenas originais de filmes e séries como Perdidos no Espaço, Jetson´s, Alien, Jornada nas Estrelas e Star Wars, entre muitos outras.
Na segunda, além de conteúdo didático ligado à música, há fotos, instrumentos musicais, escritos, cartazes e trajes dos principais músicos pop dos séculos 20 e 21.
A GÊNESE DA CAPITAL DA INOVAÇÃO
Outro evento que marcou a história de Seattle, a Alaska-Yukon-Pacific Expositon –cujo acrônimo era AYPE–, foi uma importante feira mundial ocorrida em 1909.



No centro velho da cidade, em Pionner Square, hoje uma praça algo decadente embora cercada de prédios de época muito importantes do ponto de vista arquitetônico, há um busto de bronze do valente chefe Seattle, líder da tribo suquamush, de quem a metrópole herdou seu nome. A estátua, obra de James A. Wehn, data de 1908 e foi descerrada a tempo da feira mundial AYPE no ano seguinte.


E assim, diante do Pacífico Noroeste e distando 183 quilômetros ao Sul da fronteira litorânea com o Canadá, a região em que a cidade vicejou foi fundada em 1853 numa área originalmente habitada por nativos estadunidenses nada pacíficos, como aqueles liderados pelo chefe Seattle.
No século 19, a construção naval, a pesca, a exploração de minérios e de madeira, além do comércio, moldaram a economia da cidade. E o fato de ser um porto que dá acesso ao Estado do Alasca, no extremo Noroeste do continente norte-americano, deu impulso ao seu desenvolvimento. Em 1910, Seattle era a 25ª mais populosa cidade dos EUA; hoje é a 18ª.
Nas últimas décadas do século 20, a atividade econômica passou por uma revolução, e Seattle passou a ser uma referência em alta tecnologia.



Na primeira fase dessa transição, nos primórdios do século 20, indústrias de vanguarda como a Boeing, fundada pelo pioneiro da aviação William E. Boeing em 1916, tiveram um papel germinal. O empresário viu um avião decolar durante a Alaska-Yukon-Pacific Exposition, em 1909, e decidiu dedicar-se ao desenvolvimento dos então chamados flying-boats. Curioso lembrar que o brasileiro Alberto Santos Dumont decolou seu 14Bis, em Paris, em 1906, três anos antes dessa feira mundial.
Mais recentemente, nos anos 1980, um novo furacão tecnológico colocou Seattle no centro do mundo da inovação. Nessa época, Bill Gates –seattleite e filho de próspero advogado– criou a Microsoft, ainda hoje uma das maiores produtoras mundiais de softwares para computadores e empresa que deu origem a uma nova revolução hi-tech.


Outra empresa cuja sede está em Seattle, e é marcada por esferas gigantes de vidro, é a Amazon. Em 1994, seu fundador, Jeff Bezos, decidiu que a metrópole da inovação era a cidade mais adequada para ser o quartel-general da sua empresa de comércio eletrônico, uma gigante que ocupa o segundo lugar no ranking entre as companhias listadas em Bolsa de Valores nos EUA –atrás somente da Apple.

PASSADO AGITADO
Nos primórdios, Seattle foi fundada em uma região chamada Alki, em 1851. Um núcleo de pioneiros europeus rebatizou, então, o local em homenagem a um amistoso chefe nativo.
Em 1856, no entanto, quando a diminuta Seattle original tinha cerca de 300 habitantes, o lugarejo sofreu um duro ataque dos indígenas.
Mal Seattle se reerguia atraindo imigrantes e desenvolvendo seu comércio, nos anos 1880 aconteceram riots, manifestações violentas envolvendo a população de origem chinesa. Para piorar a situação, em 1889, um grande incêndio castigou a cidade, que acabou sendo refundada no seu sítio atual e encontrando o seu caminho para o progresso e a modernidade que teve início no século 20.


Aí, ao mencionar a Smith Tower, que fica em Downtown, não longe de Chinatown, é preciso fazer um parêntese. Essa torre, de 42 andares, erguida entre 1901 e 1914 pelo empresário Lyman Cornelius Smith, já foi o mais alto prédio de Seattle e também tem o seu observatório. Simbolizou a fortuna de seu proprietário, o fabricante do revólver Smith & Wesson e da máquina de datilografia Smith Corona.