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Dos primórdios ao topo da inovação, Seattle irradia alto-astral

SILVIO CIOFFI – ENVIADO ESPECIAL AOS EUA

No Estado de Washington, diante do piscoso estuário de Puget, Seattle tem clima oceânico –onde as chuvas são para lá de frequentes. Metrópole da região do Pacífico Noroeste, é imersa na natureza ao mesmo tempo em que é uma capital da inovação nos Estados Unidos.

E assim, os seattleites, apelido dado aos locais, se distinguem tanto por suas preocupações com o ambiente, a água, o salmão fresco e o café como, também, pela engenhosidade como criaram empresas que são líderes mundiais, caso de Starbucks, Amazon, Boeing e Microsoft.

Marco no desenvolvimento da metrópole, a Seattle World´s Fair, também chamada de “A Exposição do Século 21”, atraiu, entre 21 de abril e 21 de outubro de 1962 mais de 10 milhões de visitantes.

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No alto, o skyline de Seattle visto a partir de um tour de barco (foto Silvio Cioffi-V!VA); acima, capa de guia da feira mundial da cidade dos EUA, evento que redefiniu o perfil urbano da metrópole em 1962 (foto arquivo/The Seattle Public Library Seattle Room Digital Collections)
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Cartão-postal da Feira Mundial de 1962, com destaque para a Space Neefle (foto/arquivo The Seattle Public Library Seattle Room Digital Collections)

A torre Space Needle, que redefiniu o perfil urbano da cidade, é um legado desse evento que explorou temas como o espaço, a ciência e o futuro da Humanidade.

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A torre Space Needle, de 184 m, recebe 1,3 milhão de visitantes/ano (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Turistas no observatório da Space Needle, cuja renovação em 2018 custou US$ 100 mi (foto Silvio Cioffi-V!VA)

Outra faceta da grande Seattle, onde, compreendidos os arredores, vivem 4 milhões de habitantes, é o seu virtuosismo musical: do grunge ao jazz, do pop ao hip-hop, a cidade deu à luz músicos como Jimi Hendrix (1942-1970) e a bandas como Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam e Alice in Chains.

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Obra de Frank O. Gehry, o complexo arquitetônico adjacente à Space Needle abriga museus dedicados à ficção científica e à música pop (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Violão, traje de show e cartaz num detalhe do acervo do MoPop, cuja criação se deve a Paul Allen, um dos sócios da Microsoft (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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“Explosão”‘ de guitarras elétricas decora o centro do museu MoPop; junto ao museu de ficção científica, ocupa área de 13 mil m2 (foto Silvio Cioffi-V!VA)

Numa área de 13 mil m² adjacente à torre Space Needle, o museu MoPop (abreviatura de Museum of Pop Music), foi projetado pelo arquiteto canadense-americano Frank O. Gehry a pedido de Paul Allen, um dos sócios-fundadores da Microsoft.

Inaugurado no ano 2000, o MoPOP tem uma ala identificada com a ficção científica na literatura e no cinema e outra, a Experience Music Project, voltada para os expoentes da música pop.

Na primeira, a memorabília inclui objetos, robôs, roupas e trechos cenas originais de filmes e séries como Perdidos no Espaço, Jetson´s, Alien, Jornada nas Estrelas e Star Wars, entre muitos outras.

Na segunda, além de conteúdo didático ligado à música, há fotos, instrumentos musicais, escritos, cartazes e trajes dos principais músicos pop dos séculos 20 e 21.

A GÊNESE DA CAPITAL DA INOVAÇÃO
Outro evento que marcou a história de Seattle, a Alaska-Yukon-Pacific Expositon –cujo acrônimo era AYPE–, foi uma importante feira mundial ocorrida em 1909.

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Em 1909, a Alaska-Yukon-Pacífic Exposition (AYPE) marcou Seattle; acima, a capa do guia vendido durante essa feira mundial (foto/arquivo The Seattle Public Library Seattle Room Digital Collections)
Dos primórdios ao topo da inovação, Seattle irradia alto-astral Imagem Aérea AYPE 1909 Seattle Municipal Archives
Foto aérea dos pavilhões que foram sede da AYPE; foi nesse evento que William Boeing viu um avião decolando primeira vez (foto/arquivo Seattle Municipal Archives)
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No centro histórico, busto do grande chefe indígena Seattle (ou “Sealth”), líder das tribos suquamsh e duwamish, falecido em 1866 (foto Silvio Cioffi-V!VA)

No centro velho da cidade, em Pionner Square, hoje uma praça algo decadente embora cercada de prédios de época muito importantes do ponto de vista arquitetônico, há um busto de bronze do valente chefe Seattle, líder da tribo suquamush, de quem a metrópole herdou seu nome. A estátua, obra de James A. Wehn, data de 1908 e foi descerrada a tempo da feira mundial AYPE no ano seguinte.

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Detalhes de prédios históricos em estilo art déco no centro velho de Seattle, cuja região deverá passar por regeneração urbana (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Ônibus urbano se dirige à região histórica de downtown Seattle; acima do pára-choque dianteiro, há um suporte para bicicletas (foto Silvio Cioffi-V!VA)

E assim, diante do Pacífico Noroeste e distando 183 quilômetros ao Sul da fronteira litorânea com o Canadá, a região em que a cidade vicejou foi fundada em 1853 numa área originalmente habitada por nativos estadunidenses nada pacíficos, como aqueles liderados pelo chefe Seattle.

No século 19, a construção naval, a pesca, a exploração de minérios e de madeira, além do comércio, moldaram a economia da cidade. E o fato de ser um porto que dá acesso ao Estado do Alasca, no extremo Noroeste do continente norte-americano, deu impulso ao seu desenvolvimento. Em 1910, Seattle era a 25ª mais populosa cidade dos EUA; hoje é a 18ª.

Nas últimas décadas do século 20, a atividade econômica passou por uma revolução, e Seattle passou a ser uma referência em alta tecnologia.

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O eternamente nevado Mount Rainier visto em tour de barco; distante 110 quilômetros de Seattle, é avistável em cerca de 80 dias/ano (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Cena de um casamento com noivos e madrinhas diante de hotel no bairro de Lake Union, no centro comercial de Seattle (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Transatlântico de passageiros fotografado a partir de um tour de barco na Argosy Cruises na baía de Puget; ao fundo, as montanhas (foto Silvio Cioffi-V!VA)

Na primeira fase dessa transição, nos primórdios do século 20, indústrias de vanguarda como a Boeing, fundada pelo pioneiro da aviação William E. Boeing em 1916, tiveram um papel germinal. O empresário viu um avião decolar durante a Alaska-Yukon-Pacific Exposition, em 1909, e decidiu dedicar-se ao desenvolvimento dos então chamados flying-boats. Curioso lembrar que o brasileiro Alberto Santos Dumont decolou seu 14Bis, em Paris, em 1906, três anos antes dessa feira mundial.

Mais recentemente, nos anos 1980, um novo furacão tecnológico colocou Seattle no centro do mundo da inovação. Nessa época, Bill Gates –seattleite e filho de próspero advogado– criou a Microsoft, ainda hoje uma das maiores produtoras mundiais de softwares para computadores e empresa que deu origem a uma nova revolução hi-tech.

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As esferas de vidro marcam a entrada da sede de Amazon, empresa criada por Jeff Bezos que fez seu IPO em Seattle em 1997 (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Entre os píeres históricos diante da Alaskan Way, que margeia Seattle, o Miner´s Landing abriga uma loja de suvenires e antiguidades (foto Silvio Cioffi-V!VA)

Outra empresa cuja sede está em Seattle, e é marcada por esferas gigantes de vidro, é a Amazon. Em 1994, seu fundador, Jeff Bezos, decidiu que a metrópole da inovação era a cidade mais adequada para ser o quartel-general da sua empresa de comércio eletrônico, uma gigante que ocupa o segundo lugar no ranking entre as companhias listadas em Bolsa de Valores nos EUA –atrás somente da Apple.

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Detalhe da estação terminal do Monorail suspenso na área comercial de Seattle; no outro extremo da linha, fica a torre Space Needle (foto Silvio Cioffi-V!VA)

PASSADO AGITADO
Nos primórdios, Seattle foi fundada em uma região chamada Alki, em 1851. Um núcleo de pioneiros europeus rebatizou, então, o local em homenagem a um amistoso chefe nativo.

Em 1856, no entanto, quando a diminuta Seattle original tinha cerca de 300 habitantes, o lugarejo sofreu um duro ataque dos indígenas.

Mal Seattle se reerguia atraindo imigrantes e desenvolvendo seu comércio, nos anos 1880 aconteceram riots, manifestações violentas envolvendo a população de origem chinesa. Para piorar a situação, em 1889, um grande incêndio castigou a cidade, que acabou sendo refundada no seu sítio atual e encontrando o seu caminho para o progresso e a modernidade que teve início no século 20.

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Entrada do Pioneer Building em downtown e ao lado da praça Pioneer, na região chamada de “primeira vizinhança” em Seattle (foto Silvio Cioffi-V!VA)
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O portal de Chinatown (ou “pai-lau”, em mandarim), no centro velho, data do início dos 1900 e substitui o anterior, de 1860 (foto Silvio Cioffi-V!VA)

Aí, ao mencionar a Smith Tower, que fica em Downtown, não longe de Chinatown, é preciso fazer um parêntese. Essa torre, de 42 andares, erguida entre 1901 e 1914 pelo empresário Lyman Cornelius Smith, já foi o mais alto prédio de Seattle e também tem o seu observatório. Simbolizou a fortuna de seu proprietário, o fabricante do revólver Smith & Wesson e da máquina de datilografia Smith Corona.

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