SILVIO CIOFFI – ENVIADO ESPECIAL AOS EUA
Palco de uma batalha sangrenta que, em 1836, opôs o exército mexicano, os colonos e as tropas dos Estados Unidos, o local do forte The Alamo e as ruínas de sua igreja e de seu hospital recebem, anualmente, 1,6 milhão de visitantes.
Ao todo, são cinco as missões de origem espanhola que integram a San Antonio Missions National Historical Park, mas o The Alamo é a única encravada no centro da cidade de San Antonio.


Alcunhada The Alamo City, San Antonio, cujo clima é subtropical úmido, capitaneia agora um megaprojeto de revitalização do seu mais famoso sítio histórico.


Epicentro da cidade, patrimônio para o qual convergem todos os turistas, o The Alamo é cenário de eventos e oferece demonstrações de arcabuzes históricos e pequenos canhões realizadas por personagens em roupas de época às sextas, aos sábados e domingos, das 10h30 às 11h30.


Para visitar o interior do The Alamo há tours com guias bastante familiarizados com a história da batalha, a arquitetura colonial e, também, dos achados arqueológicos ora em curso no local.


Ao lado, o museu Ralston Family Collection Center abriu as portas em março de 2023 –e é parte desse projeto de valorização do The Alamo.
Num prédio ultracontemporâneo de dois andares e museologia impecável, o museu Ralston exibe uma coleção de 4.500 objetos entre artefatos arqueológicos, documentos de época, louças europeias, pinturas, roupas e uniformes, armas de fogo e canhões, espadas, facas, capacetes, fotografias antigas, objetos de uso doméstico e de decoração. (SILVIO CIOFFI)



“SIX FLAGS”, MUITAS ETNIAS E UMA HISTÓRIA, NEM SEMPRE PACÍFICA, QUE ENVOLVE ESPANHA, FRANÇA, MÉXICO E EUA CARACTERIZAM SAN ANTONIO
DO ENVIADO ESPECIAL
Dentro do prédio principal do The Alamo, um estandarte exibe as bandeiras da Espanha, da França, do México, da República do Texas, das tropas confederadas durante a Guerra Civil e dos Estados Unidos.

Elas sintetizam a história da cidade de San Antonio e, também, do Estado do Texas.
Inicialmente, a Espanha, que dominou vastas áreas do território das três Américas, se estabeleceu na região com uma missão católica cujo objetivo era catequizar os indígenas entre 1519 e 1685 e, depois, entre 1690 e 1821.

Entre os dois mandatos do Reino da Espanha, entre 1685 e 1680, o Reino da França exerceu seu domínio na região.

Em 1821, o general Augustín de Iturbe consolida a independência do México frente à Espanha e, assim, San Antonio hasteou a bandeira mexicana.

Após um período conturbado marcado pela Guerra Mexicano-Americana, em 1833 o general Santa Ana assume a República do México e passa a cobrar impostos dos habitantes na região do The Alamo, à essa altura um conjunto colonial que incluía forte, igreja e hospital.
Ante a recusa dos colonos em pagar tributos ao general-presidente mexicano, grandes tropas foram mandadas a cidadela de San Antonio, resultando na cruenta batalha de 1836.


Do lado americano, o general Sam Houston comandou tropas em 12 dias de batalhas sangrentas.
Ao fim do conflito, o Texas foi proclamado uma República independente e hasteou sua bandeira, com uma estrela solitária (a Lone Star Flag), de 1839 a 1845.

Em 1845, a República do Texas foi cooptada e se tornou o 28° Estado dos Estados Unidos. Assim até 1861 foi a bandeira norte-americana que passou a tremular diante do forte The Alamo, em San Antonio.
Com a eclosão da Guerra de Secessão (1861-1865), uma guerra civil fratricida que opôs o norte industrializado do país ao sul –ainda agrário e escravocrata–, a bandeira do exército confederado, sulista, foi hasteada no território texano.

Com o fim do conflito e a vitória dos exércitos nortistas, a bandeira dos Estados Unidos voltou ao mastro do The Alamo.

Documento vivo de tantas reviravoltas históricas, o censo de 2020 registra que, em San Antonio, 63,9% dos habitantes têm origem latina/hispânica; 23,4% são brancos não-hispânicos; 6,5% são afro-americanos; 3,2% têm etnia asiática; 1,2% são de origem indígena e 2,3% se declaram miscigenados. (SILVIO CIOFFI)