“The Alamo” é Patrimônio da Humanidade 8 Foto Silvio Cioffi-V!VA

“The Alamo” é Patrimônio da Humanidade

SILVIO CIOFFI – ENVIADO ESPECIAL AOS EUA

Palco de uma batalha sangrenta que, em 1836, opôs o exército mexicano, os colonos e as tropas dos Estados Unidos, o local do forte The Alamo e as ruínas de sua igreja e de seu hospital recebem, anualmente, 1,6 milhão de visitantes.

Ao todo, são cinco as missões de origem espanhola que integram a San Antonio Missions National Historical Park, mas o The Alamo é a única encravada no centro da cidade de San Antonio.

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No alto, a fachada do “The Alamo”, fortaleza que foi palco da batalha entre americanos e o exército mexicano em 1836; e, acima, detalhe do memorial O Espírito do Sacrifício, obra do escultor Pompeo Coppini. Iniciado em 1936, o monumento aos heróis do Alamo foi inaugurado em 1940 (Fotos Silvio Cioffi-V!VA)
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Placa alude aos comandantes americanos no interior do “The Alamo”, monumento é Patrimônio Mundial tombado pela Unesco em 2016 (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Alcunhada The Alamo City, San Antonio, cujo clima é subtropical úmido, capitaneia agora um megaprojeto de revitalização do seu mais famoso sítio histórico.

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Interior do “The Alamo”, originalmente uma fortaleza do tempo da colonização espanhola no Estado do Texas… (oto Silvio Cioffi-V!VA)
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…e detalhe das colunas na entrada principal do forte “The Alamo”, cujo conjunto arquitetônico encerrava também igreja e hospital (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Epicentro da cidade, patrimônio para o qual convergem todos os turistas, o The Alamo é cenário de eventos e oferece demonstrações de arcabuzes históricos e pequenos canhões realizadas por personagens em roupas de época às sextas, aos sábados e domingos, das 10h30 às 11h30.

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Na “The Alamo Plaza”, atores com armas e vestimentas de época recriam o tempo dos pioneiros americanos no Texas… (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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…numa exibição que se repete nas manhãs de sábado, ator dispara espingarda com tiro de festim nas adjacências do forte “The Alamo” (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Para visitar o interior do The Alamo há tours com guias bastante familiarizados com a história da batalha, a arquitetura colonial e, também, dos achados arqueológicos ora em curso no local.

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A Catedral de San Fernando ao anoitecer; a igreja também é chamada de Nossa Senhora da Candelária e Guadalupe e data do século 18; uma grande restauração, ao custo de US$ 15 milhões, foi realizada em 2003 (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Placa da catedral informa que lá estão as criptas com os restos mortais dos heróis americanos da batalha de 1836 (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Ao lado, o museu Ralston Family Collection Center abriu as portas em março de 2023 –e é parte desse projeto de valorização do The Alamo.

Num prédio ultracontemporâneo de dois andares e museologia impecável, o museu Ralston exibe uma coleção de 4.500 objetos entre artefatos arqueológicos, documentos de época, louças europeias, pinturas, roupas e uniformes, armas de fogo e canhões, espadas, facas, capacetes, fotografias antigas, objetos de uso doméstico e de decoração. (SILVIO CIOFFI)

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Capacete militar de gala no acervo do museu da Ralston Family anexo ao “The Alamo Plaza”… (oto Silvio Cioffi-V!VA)

“SIX FLAGS”, MUITAS ETNIAS E UMA HISTÓRIA, NEM SEMPRE PACÍFICA, QUE ENVOLVE ESPANHA, FRANÇA, MÉXICO E EUA CARACTERIZAM SAN ANTONIO

DO ENVIADO ESPECIAL

Dentro do prédio principal do The Alamo, um estandarte exibe as bandeiras da Espanha, da França, do México, da República do Texas, das tropas confederadas durante a Guerra Civil e dos Estados Unidos.

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As seis bandeiras exibidas fora da ordem cronológica ornamentam o interior do “The Alamo” e contam a história do Texas (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Elas sintetizam a história da cidade de San Antonio e, também, do Estado do Texas.

Inicialmente, a Espanha, que dominou vastas áreas do território das três Américas, se estabeleceu na região com uma missão católica cujo objetivo era catequizar os indígenas entre 1519 e 1685 e, depois, entre 1690 e 1821.

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A bandeira da Coroa de Castela (1230-1715), que liderou uma série de reinos na parte espanhola da Península Ibérica: foi a primeira que tremulou no Texas

Entre os dois mandatos do Reino da Espanha, entre 1685 e 1680, o Reino da França exerceu seu domínio na região.

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Imagem de bandeira da França utilizada no Antigo Regime; com três flores-de-lis douradas, este estandarte marcou o domínio dos reis franceses no território texano

Em 1821, o general Augustín de Iturbe consolida a independência do México frente à Espanha e, assim, San Antonio hasteou a bandeira mexicana.

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A bandeira do México, oficialmente Estados Unidos Mexicanos: a terceira a ser hasteada no Texas

Após um período conturbado marcado pela Guerra Mexicano-Americana, em 1833 o general Santa Ana assume a República do México e passa a cobrar impostos dos habitantes na região do The Alamo, à essa altura um conjunto colonial que incluía forte, igreja e hospital.

Ante a recusa dos colonos em pagar tributos ao general-presidente mexicano, grandes tropas foram mandadas a cidadela de San Antonio, resultando na cruenta batalha de 1836.

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Do escultor Bruce Greene, estátua de cobre no “The Alamo Plaza” mostra Susannah e Angelina Dickinson assustadas durante a batalha de 1836 (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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O pioneiro David Crockett, aventureiro e humorista do início do século 19, em estátua do escultor George Lundeen (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Do lado americano, o general Sam Houston comandou tropas em 12 dias de batalhas sangrentas.

Ao fim do conflito, o Texas foi proclamado uma República independente e hasteou sua bandeira, com uma estrela solitária (a Lone Star Flag), de 1839 a 1845.

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A bandeira do Texas independente (1839-1845) foi a quarta que tremulou em San Antonio após a batalha do Alamo, em 1836, ter sido perdida pelo México

Em 1845, a República do Texas foi cooptada e se tornou o 28° Estado dos Estados Unidos. Assim até 1861 foi a bandeira norte-americana que passou a tremular diante do forte The Alamo, em San Antonio.

Com a eclosão da Guerra de Secessão (1861-1865), uma guerra civil fratricida que opôs o norte industrializado do país ao sul –ainda agrário e escravocrata–, a bandeira do exército confederado, sulista, foi hasteada no território texano.

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A bandeira dos Estados Confederados da América (1861-1865), com estrelas que representavam os sete Estados separados do Sul dos EUA; depois, o pendão ganhou mais oito estrelas, por representar Estados admitidos ou reivindicados pela Confederação: a quinta do Texas

Com o fim do conflito e a vitória dos exércitos nortistas, a bandeira dos Estados Unidos voltou ao mastro do The Alamo.

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A bandeira atual dos Estados Unidos da América, que foi modificada oficialmente 26 vezes desde 1777. O pavilhão com 50 estrelas, onde cada astro representa um Estado do país, foi ordenada pelo então presidente americano David Dwight Eisenhower em 1959

Documento vivo de tantas reviravoltas históricas, o censo de 2020 registra que, em San Antonio, 63,9% dos habitantes têm origem latina/hispânica; 23,4% são brancos não-hispânicos; 6,5% são afro-americanos; 3,2% têm etnia asiática; 1,2% são de origem indígena e 2,3% se declaram miscigenados. (SILVIO CIOFFI)

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