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Bê-a-bá para fugir do óbvio em Buenos Aires

SILVIO CIOFFI — ENVIADO ESPECIAL À ARGENTINA

Para quem já conhece a Casa Rosada, fez compras na Calle Florida e visitou o Cabildo e a catedral, esse roteiro complementar ajuda a driblar os lugares-comuns sem perder a dimensão do flanar pelas ruas da capital argentina.

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No alto a piscina do hotel Faena e, acima, a arquitetura europeia em Buenos Aires, onde, dizia o arquiteto César Pelli, “dá gosto caminhar” (Fotos Silvio Cioffi-V!VA)
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Drinques no Avant Garten, bar com mesas na calçada na região dos Arcos de Rosedal (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Foto histórica mostra o presidente brasileiro Eurico Gaspar Dutra (à esq.), Evita e presidente argentino Juan D. Perón (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

“Buenos Aires é uma cidade com uma estrutura urbana tão linda que dá gosto caminhar por suas ruas.” A frase foi cunhada pelo argentino-americano César Pelli (1926-2019), arquiteto que, radicado nos Estados Unidos, venceu o Prêmio Pritzker e é considerado um dos mais arrojados projetistas de arranha-céus de todos os tempos. E assim, com ou sem crise econômica, independentemente das direções da política —e até por causa delas—, Buenos Aires é senhora de uma história rica como atribulada, nunca perdeu a majestade —e nem parou de se reinventar.

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Prédio decadente com sacada belle époque na região do bairro boêmio de la Boca (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Evita Perón se tornou primeira-dama da Argentina quando Perón foi eleito, em 1946 (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

A MARCHA DA HISTÓRIA
Em 1586, essa charmosa e europeizada metrópole sul-americana nasceu de um vilarejo na margem direita do rio da Prata. Pedro de Mendoza, seu fundador, originalmente a chamou Nuestra Señora de Santa María del Buen Ayre, nome que denuncia a sua origem católica. Mas, logo, o aglomerado urbano original foi destruído por ataques indígenas.

Pouco depois, em 1580, a cidade ressuscitou por obra de Juan de Garay e foi rebatizada como Ciudad de la Trinidad y Puerto de la Santa María de los Buenos Ayres.

De povoado pouco expressivo nos primórdios a metrópole, Buenos Aires trilhou o caminho do progresso no século 19, quando, já capital da Argentina, foi alçada à condição de porto estratégico, recebendo hordas de imigrantes e escoando de riquezas. E é por isso que seus habitantes são chamados de portenhos, numa alusão ao frenesi de progresso que tomou conta do seu porto.

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Estrutura deixa entrar luz natural no mercado municipal próximo ao porto, em La Boca (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Banca de moedas e objetos de metal na feirinha de antiguidades dominical no bairro de Santelmo (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

De lá para cá, a cidade ganhou ares de metrópole, desenvolveu a indústria e o comércio, crescendo a ponto de ser guindada ao posto de principal capital na América do Sul nas primeiras décadas do século 20. Atestando esse passado pujante, a boa arquitetura e a arte do bem viver nunca a abandonaram. E, como bem disse o arquiteto contemporâneo César Pelli, se tornou uma metrópole onde “dá gosto caminhar”.

Sem abdicar do seu aspecto clássico, dos modos e das modas vindas da Europa, a Buenos Aires do final do século 20 e início do século 21 soube se reinventar em locais como Puerto Madero e, mais recentemente, em atrações como o Centro Cultural Kirchner/CCK. A repaginação urbana mais recente, entretanto, foi a readequação dos Arcos de Rosedal, antiga instalação ferroviária de tijolos aparentes, que remonta ao século 19, e que fica na avenida Del Libertador, próximo aos bosques no bairro de Palermo. Lá, em nossos dias, a juventude portenha frequenta os bares e bistrôs que dão cara nova à sua proverbial cena gastronômica.

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Nos Arcos de Rosedal, estrutura que abrigou instalações ferroviárias construídas por ingleses (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Anoitecer nos Arcos de Rosedal, que na região dos parques de Palermo (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Bar Avant Garten, um dos inúmeros nos reurbanizados Arcos de Rosedal (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

O CCK, O CENTRO CULTURAL DO MOMENTO
Localizado na Calle Sarmiento, 151, o Centro Cultural Kirchner, que os portenhos chamam pelas iniciais CCK, foi aberto em 2015 e está instalado no antigo Palácio dos Correios. Com 100 mil m², é tido pelo maior centro de artes, cinema de vanguarda e cultura da América Latina. Dentro, uma das instalações mais engenhosas é a Ballena, sala de concertos almofadada e monumental para 1.750 espectadores.

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Lobby do Centro Cultural Kirchner no antigo prédio do Palácio dos Correios (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Obra de Julio Le Parc, artista contemporâneo expoente da Op Art ou arte cinética (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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La Ballena, detalhe da sala de música acústica do CCK vista do seu exterior (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Logo no átrio principal, pinturas, esculturas e obras de arte cinética deixam o visitante boquiaberto. A entrada no CCK é gratuita e convém conferir a programação e os horários de abertura no site.

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Obras expostas no piso térreo do Centro Cultural Kirchner (CCK) de Buenos Aires (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Uma das salas de cinema no CCK, complexo cultural de vanguarda de 100 mil m2 (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Para quem tem fome de pizza, gosta de comidas italianas agiornadas e curte brechó, esculturas e objetos clássicos de decoração, o Bar e Pizzaria Nápoles, que também expõe carros e motos antigas, é o endereço da hora. Para lá de eclético, o lugar fica na avenida Caseros, 448, e, também, serve apenas vinhos em taça e drinques. Para jantar, recomenda-se reservar pelo email bulevardcaseros@gmail.com.

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Escultura e mesas da Pizzaria Nápoles, espaço gastronômico e brechó no bairro de Palermo (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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No salão do hotel Faena Buenos Aires, a decoração de Philippe Starck misturou lustres antigos e objetos modernos (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Com duas filiais em Miami Beach (EUA), o originalíssimo hotel-design Faena Buenos Aires tem em seu restaurante El Mercado uma meca de gastronomia e diversão. Num ambiente informal que mistura salão e cozinha no mesmo ambiente, dono de um bric-a-brac com louças, faiança e taças de época, o cinco-estrelas tem o estilo extravagante característico do decorador e arquiteto Philippe Starck. A sugestão para quem está na capital argentina nos finais de semana é, ao meio-dia, aproveitar o brunch cujas estrelas são as carnes grelhadas, o bufê de saladas e a pâtisserie que combina doces afrancesados e o idílico dulce de leche argentino.

No fundo do Faena Buenos Aires e atravessando a piscina, esse restaurante El Mercado fica na rua Martha Salotti, 445. É necessário reservar pelo tel. local 55-11-4010-9200.

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No fundo do restaurante El Mercado, do hotel Faena, “asador” concebido por Mallmann (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Chefs na cozinha que se abre para o salão no restaurante El Mercado, no hotel Faena (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

A ISLA EL DESCANSO É OÁSIS DE ARTE E NATUREZA
Para quem tem tempo e deseja conhecer o lado B de Buenos Aires, uma ilha em meio a casas chiques no delta do rio Paraná de Las Palmas, próxima à cidade de Tigre, e distante uma hora de Buenos Aires, é um destino de lazer ainda pouco conhecido dos visitantes brasileiros.

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Barco de madeira singra as águas do rio Paraná de Las Palmas, perto de Buenos Aires (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

O ilha é privada faz jus ao nome: Isla El Descanso. Lá, num espaço verde, o paisagismo abriga imensas esculturas contemporâneas.

Circundada por canais navegáveis, essa ilha de paz e arte com 40 hectares de jardins luxuriantes pode ser visitada de segunda a sexta-feira, mas as reservas são absolutamente necessárias. Para chegar na Isla El Descanso, há barcos que partem do cais de Puerto Madero e singram o rio da Prata.

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Escultura-banco na Isla El Descanso, espaço insular verde e repleto de arte no delta do rio Tigre (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Escultura de mulher integra o acervo da Isla El Descanso, que ocupa 40 hectares (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Cheque a programação no site, pois o local hospeda eventos e nem sempre está aberto para visitas individuais. Reserve pelo tel. local 54-911-3591-9220.

Entre as diversas propriedades de veraneio da região do delta do Tigre, chama a atenção uma casa de madeira que pertenceu a Domingo Sarmiento, presidente da Argentina entre 1868 e 1874.

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Escultura à beira de lago nos jardins da Isla El Descanso (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

SITES:
Turismo de Buenos Aires
Centro Cultural Kirchner
Bar e Pizzaria Napoles
Faena Buenos Aires
Isla El Descanso
Turismo da Argentina

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