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Em Amsterdã, quase tudo são flores

SILVIO CIOFFI — ENVIADO ESPECIAL AOS PAÍSES BAIXOS

A primavera é considerada a melhor época do ano para se visitar Amsterdã, metrópole cosmopolita onde vivem 720 mil habitantes. A festa da Rainha, em 30 de abril, e a festa do Rei, três dias antes, são duas ocasiões em que o bom tempo permite que as pessoas se reúnam e festejam a vida.

No mercado de flores, as tulipas, exportadas para todo o mundo, são uma herança dessa cidade que floresceu no século 17, sob a égide da Companhia das Índias —tida pela maior empresa que já existiu.

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No alto, fachada de edifícios típicos e, acima, barraca de queijos na capital dos Países Baixos (Fotos Silvio Cioffi-V!VA)
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Bandeira do movimento LGBTQ+ em prédio de Amsterdã: cidade é conhecida pela tolerância há séculos (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

As bolsas de valores, segundo alguns, também têm origem na produção e exportação de tulipas iniciada na era de ouro da história dos Países Baixos (moderna denominação oficial da Holanda), hoje uma monarquia constitucional onde convivem 17,4 milhões de habitantes.

E, com a mesma desenvoltura com que construiu uma das maiores economias globalizadas há quatro séculos, Amsterdã teceu a fama de capital culta e tolerante, recebeu os judeus sefaraditas que fugiram da Inquisição na Espanha e em Portugal já no século 16, construiu museus magníficos para guardar obras de artistas como Rembrandt, Post, Eckhout, Vermeer, Van Gogh e tantos outros.

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Cena corriqueira em Amsterdã: cidade dos ciclistas (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Barco com turistas em um dos inúmeros canais da cidade (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

METRÓPOLE INTEGRADA
Servida por uma miríade de canais artificiais, bondes modernos e esquadrinhada por bicicletas que passam zunindo, Amsterdã tem seu epicentro na praça Dam.

Nesse local ficam a estação de trem que liga ao aeroporto de Schiphol/AMS (21 km, € 5,50) e o ponto final dos bondes e dos barcos de passeio que singram seus canais e revelam o casario burguês pitoresco.

O conjunto de casas históricas de Amsterdã, com suas fachadas estreitas, cinco ou seis andares, janelas verticais e, muitas vezes, com um gancho no alto do frontão para içar móveis e mercadorias, constituem um espetáculo arquitetônico.

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Estátua do deus grego Atlas no alto do Palácio Real de Amsterdã (Foto Silvio Cioffi-V!VA)
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Vitrine com salgados em bar da cidade (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

Antiga sede de um império comercial e financeiro, Amsterdã desenvolveu uma história de tolerância e, desde há séculos, se caracteriza pela convergência de culturas.

Eternamente construindo diques para aumentar sua área sobre o mar e situada na confluência dos rios Amstel e Ij, a cidade recebia, até a crise sanitária da covid-19, cerca de 1,7 milhão de turistas/ano.

A volta da visitação pré-pandemia já está em curso, e as atrações mais procuradas pelos turistas estão nos bairros Oude Zijde e Nieuwe Zidje, que têm origem na Idade Média, e no Bairro dos Museus, do século 19.

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Rua com prédios típicos (Foto Silvio Cioffi-V!VA)

A velha Sinagoga Portuguesa e o Museu Judaico também merecem especial atenção dos visitantes interessados em história. Com tradição de tolerância, Amsterdã sempre acolheu povos de diversas etnias.

Isso durou até que o furacão nazista atingisse também a cidade e dizimasse sua população de origem judaica, no bojo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). E assim, para marcar essa era de atrocidades —e também para lembrar que, mesmo em Amsterdã, nem tudo são flores—, a metrópole transformou a casa que escondeu a menina alemã Anne Frank, vítima do Holocausto, aos 15 anos, num campo de concentração alemão-nazista, num tocante minimuseu biográfico.

SITES:
Turismo de Amsterdã
Turismo dos Países Baixos
Sinagoga Portuguesa
Museu Judaico
Casa de Anne Frank

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